25 km na Maratona de São Paulo 2014

25 km na Maratona de São Paulo 2014

Hoje escrevo o relato de uma prova de 25 km que realizei no dia 19/10/2014 em São Paulo, dividindo uma experiência incrível, porém dolorosa. Peço desculpas pelo egocentrismo.

Quando procuramos uma prova de corrida, usamos alguns critérios para a escolha: distância, proximidade de sua residência, altimetria, etc. Depois de decidir, faz-se a inscrição e já se começa a treinar mais do que vinha treinando, efeito causado pela preocupação em concluir a prova selecionada, fator muito positivo já que há uma meta a alcançar.

Já havia concluído a meia maratona da ASICS há um mês aproximadamente e vinha aumentando meus volumes de treinos. Porém quando se faz 25 km, num calor fora do normal e com um clima seco como estava, nenhum volume de treino parece que foi suficiente.

Antes de descrever a prova, devo ressaltar alguns fatores que me fizeram completá-la: organização do evento impecável, pontos de hidratação a cada três km (aproximadamente), separação dos corredores por PACE (velocidade que você pretende fazer a prova), diversas pessoas como STAFF colaborando, circuito com muitos trechos de sombra e o mais importante de todos “a vontade de terminar”.ricardo depoimento 25km

Vou começar pela sexta-feira que antecedeu a prova. Observando o clima seco que estava fazendo nesta cidade, comecei a “hiperhidratar” o corpo, bebendo mais água que o normal, tirei todo tipo de gordura e ingeri bastante carboidrato. Funcionou direitinho.

Domingo, 19 de outubro de 2014, 8:00 da manhã – Rumo aos 25 km

Muitos, eu disse muitos, corredores se desafiando. Havia caminhada de 3 km, corrida de 10 km, de 25 km e a maratona (42.195 metros), estas três últimas divididas por grupos, separados por cores de acordo com a velocidade (os mais lentos ficavam mais atrás e os mais rápidos, mais à frente).

Para evitar câimbras tomei uma cápsula de sal no inicio da prova e levei mais uma para tomar na metade da prova. Levei 4 sachês contendo GEL de carboidrato que pretendia tomar a cada 5 km.

Largamos exatamente no horário marcado, às 8 horas.

O circuito era bem interessante, até o momento em que chegamos nos túneis da Avenida Juscelino Kubitschek, muito quente e sem ar, horrível. Quando passamos pelo segundo túnel havia um DJ tocando, com iluminação e tudo. Sensacional! Isso fez com que este túnel não ficasse tão horrível assim. Passamos pela frente do Jóquei Clube, aproximadamente quilômetro 7. Tomei um GEL e mandei água pra dentro. Outro túnel e chegamos próximo a entrada da USP, daí à direita (Rua Alvarenga) e ponte Cidade Universitária (Ida). Praça Panamericana e Avenida Fonseca Rodrigues. Voltamos e subimos a ponte novamente.

Quilometro 13. Até aqui estava tudo bem, contando cada quilômetro, progressivamente. Porém, quando entramos na USP, o calor tomou conta da prova – a temperatura já estava beirando os 30 graus e o cansaço nas pernas começou a pegar. Você começa a contar quantos quilômetros faltam e se esquece de tudo que já completou. É nessa hora que o controle da sua cabeça faz a diferença. Muitos corredores andando, outros se “arrastando”.chegada 25 km

Quando passei por um posto de água já na Avenida Politécnica vi um pedaço de gelo caído no chão, peguei-o e fui levando este “excesso” de peso, trocando ora para a mão direita ora para a esquerda. Foi uma distração muito interessante, esta mudança de temperatura entre as mãos.

Chegamos no quilômetro 19. Posto de Gatorade. Neste momento aconteceu uma coisa inesperada: a grande maioria começou a andar, hidratando o corpo com os saquinhos do isotônico. Tinha para todo mundo. A partir dai é contagem regressiva mesmo, porém com muita sombra dentro do Campus da USP. Saímos desta, Avenida Waldemar Ferreira e túnel para a Avenida Lineu de Paula Machado (Avenida do Jóquei Clube), estava morto já. A temperatura era de 32 graus, sensação térmica de 40, asfalto muito quente e nenhum ventinho para ajudar.

Último ponto de hidratação para quem ia completar os 25 km. Daqui até o final havia muitos andando, muitos com dores musculares e câimbras, algumas ambulâncias passando com sirene ligada e o final da Avenida não chegava. Quando vimos o portal de chegada parecia o portão do paraíso.

A sensação de terminar uma prova dessa, tão difícil, é indescritível.

Vi em algumas camisetas os seguintes dizeres: a dor é passageira, mas o orgulho é para sempre. Exatamente como nos sentimos ao terminar, inteiros, sem câimbras, porém muito cansados. Para o corpo não é nada agradável fazer um esforço deste tamanho e nestas condições.

Dicas para suas provas:

Hidratação: antes, durante e depois.

– Alimentação: antes durante e depois.

– Vestimenta: a mais clara possível e não invente nem tente nada novo na prova, use roupas que já está acostumado.

– Boné e óculos escuros são ítens importantíssimos. Proteger a cabeça do calor e os olhos da claridade ajuda demais.

Musica: ótimo para distrair.

– Alongar-se antes e depois da prova.

– Cuidado com o terreno que você vai correr, vi algumas pessoas tropeçando e torcendo tornozelo.

– Monte uma estratégia de corrida de acordo com a altimetria e temperatura (nessa prova fui mais rápido no começo e mais lento no final).

Parabenizo você leitor, que gosta de correr e se aventura em provas de todos os tipos. Cada prova completa é um sentimento de alegria consigo mesmo. Sentimento de “eu venci”. Obrigado por ler meu relato e pela oportunidade de dividir minha experiência.

Se precisar de mais alguma orientação já sabe – estamos por aqui, para ajudar quem deseja se aventurar nas corridas, mas já aviso: é um caminho sem volta. Nunca mais você vai querer parar de correr.

Saudações e ótimos treinos.

Sobre o Autor

Personal Trainer, Triatleta e esportista. Treino faz parte da vida, como escovar os dentes: todos os dias de preferência, de manhã, a tarde e a noite. CREF: 006383-G/SP