O que será dos nossos adolescentes?

O que será dos nossos adolescentes?

Desta vez não vou escrever nada técnico. Gostaria de compartilhar um “desabafo” a respeito do comportamento de nossos adolescentes. É possível influenciar ou direcionar a maneira como se expressam, se portam e se comunicam? A diferença comportamental é bastante visível quando comparamos as gerações.

Estava passando uma semana em um resort localizado numa praia famosa da Bahia, quando me deparei com adolescentes, na maioria brasileiros, mas também argentinos e uruguaios. Até aqui tudo bem, são crianças transformando-se em adultos e passando por uma fase de auto aceitação. Eles também passam pela aceitação no grupo a que estão inseridos, no caso, os outros adolescentes do hotel.

Todos esses jovens possuem um jeito muito característico de agir: todos com celulares nos bolsos ou nas mãos, mandando torpedos (SMS, Whatsapp, publicando conteúdo em mídias sociais) a todo momento, mesmo enquanto estão conversando com outras pessoas, demonstrando pouco ou nenhum interesse pelo assunto ou pela pessoa que está a sua frente, deixando evidente que o assunto escrito no torpedo é mais, ou de igual importância do que o falado “ao vivo”. Adoram tirar fotos e postar nas páginas sociais, falam “tipo assim” a cada dez (10) palavras ditas, mesmo quando essas palavras não se encaixam no contexto.

Se você é adolescente e não faz isso, deve estar sentindo-se um peixe fora d’água. Veja, não sou contra a tecnologia, muito menos contra a evolução, mas acho que a educação está ficando de lado. O que realmente me preocupou foi a coordenação motora que eles apresentaram durante algumas partidas de voleibol de praia (areia).

Ninguém ali era profissional, muito menos estava preocupado em adquirir técnica apurada no esporte, porém, esse grupo ao qual estou me referindo, rapazes e garotas entre 15 e 23 anos aproximadamente, não tem noção nenhuma do corpo que habitam. Eles são altos, magros na maioria, “desengonçados” e sem coordenação ou força. Quando a bola ia fora, antes do próximo jogador sacar, por várias vezes, sacavam o celular do bolso e escreviam alguma mensagem rapidamente. Agora eu pergunto: como uma pessoa consegue jogar vôlei com um celular no bolso? Qual o propósito?

É uma geração que jogou muito videogame, daquele modelo mais antigo, que utilizava “Joystick”, exercitando muito reflexo e raciocínio rápido (não tiro o mérito) e nada de execução física, tornando-se crianças preguiçosas e acima do peso.

Alguns fabricantes de videogame, preocupados com o futuro do ser humano, desenvolveram modelos onde você se movimenta por inteiro: saltando, correndo, chutando e simulando diversos esportes, inclusive a dança. O seu corpo é o seu “Joystick”.

Parece que alguns parceiros (sou professor de Educação Física), não fizeram seus papéis nas aulas de educação física. Também alguns pais destes adolescentes não estão ligando muito para o desenvolvimento motor de seus filhos.

Entretanto pude notar em uma outra geração de jovens, de faixa etária de 11 a 14 anos, que trata-se de pessoas muito mais espertas no quesito “conheço meu corpo”, o que me fez acreditar que alguns pais e professores já estão se preocupando com o fato. Graças a Deus. Eu  tentarei fazer diferente com minha filha de 5 anos. Darei a ela o máximo de exemplos, teóricos e práticos, sobre as diversas atividades existentes, sem sufocá-la ou forçá-la, deixando-a livre para escolher a(s) de sua preferência.

Uma passagem pessoal: jogo vôlei desde os 16 anos, portanto sempre que encontrou uma quadra fico louco para bater uma bolinha. Nesta temporada descrita acima, um menino de 11 anos levantou a melhor bola de todas que eu ataquei, perfeita mesmo!

Parabéns para você que é pai/mãe e está preocupado com o desenvolvimento do seu filho (a). Lembre-se de sempre se perguntar: que tipo de cidadão ele se tornará: confiante ou indeciso?

Abraços e bom trabalho (educar seu filho).

Sobre o Autor

Personal Trainer, Triatleta e esportista. Treino faz parte da vida, como escovar os dentes: todos os dias de preferência, de manhã, a tarde e a noite. Saiba mais sobre o Ricardo CREF: 006383-G/SP

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