Potência Olímpica – Como o Brasil pode se tornar uma?

Potência Olímpica – Como o Brasil pode se tornar uma?

Como o Brasil pode se tornar uma potência olímpica? Será que o dinheiro resolve o problema? Se o governo disponibilizar bilhões para os esportes estaremos no topo do ranking das medalhas?

Claro que investimento é necessário, mas saber onde e como investir é o principal. O governo também tem que aportar recursos em outros polos como educação, saúde e segurança, mas se eles não conseguem garantir esses requisitos básicos, brigar por investimentos em esporte parece meio inútil.

Existe investimento no esporte (não muito, mas existe). Atualmente há pouco incentivo para os atletas amadores e de base sendo que a maior parte dos recursos ficou para profissionais de nível olímpico.

Nas olimpíadas ficou claro que algumas potências têm vários atletas em uma única modalidade, assim o investimento é distribuído e a pressão também. No Brasil, geralmente temos um único atleta que carrega sozinho a pressão de trazer a medalha e concorrer contra os melhores do mundo, o que torna a missão ainda mais difícil.

Em minha opinião o Brasil vem melhorando (devagar, mas evoluindo), estamos mais competitivos se compararmos o desempenho de alguns atletas na última olimpíadas com as anteriores, em esportes como basquete, handebol feminino e no judô, por exemplo.

Vou tentar mostrar aqui o que, em minha opinião, precisa ser feito e apontar alguns exemplos para o Brasil crescer competitivamente e se tornar uma potência olímpica, afinal falta de medalha não é problema, mas sim nosso nível de competição que parece estar muito distante em alguns esportes.

brasil como potência olímpicaCultura do Brasil afeta a evolução dos esportes? 

Esse ponto é importante, porque a maioria dos países olímpicos já tem o esporte inserido na cultura, competir, jogar e treinar várias modalidades esportivas. No Brasil ficamos muito tempo presos ao futebol, nos tornamos uma referencia mundial, o que é ótimo, mas deixando de lado outros esportes.

Quantas vezes você já praticou ou assistiu um jogo extremante “novo”?

O UFC é um bom exemplo disso (não é um esporte olímpico, mas mostra bem a evolução), no início o esporte sofria muito preconceito, lembro-me de uma palestra e assisti um dos diretores do Esporte Interativo em 2009 e ele disse: “…é muito difícil colocar lutas na programação porque nenhum patrocinador quer sua imagem vinculada a esportes violentos…”. Aos poucos esse conceito foi desmistificado.

As academias abriram mais espaço para as lutas e mais pessoas aderiram a essas modalidades. O esporte conquistou espaço na mídia e ganhou mais patrocínios. Resultado: vários atletas brasileiros chegaram a ter um cinturão e muitas pessoas querendo treinar lutas.

Claro que o caminho não foi fácil e muitos atletas tiveram que sair do Brasil para se tornar competitivos e ganhar prestígio, mas hoje o caminho está mais fácil.

A cultura precisar mudar, a visão tem que mudar, as mentes têm que se abrir e muitos esportes cresceram.

Educação física escolar e as universidades

A escola é base para tudo na vida, pode acreditar. A escola é a responsável pela formação do que somos hoje em todos os sentidos. A infância é o período onde ocorrem as principais evoluções do corpo como coordenação, flexibilidade e força (para citar algumas) que se não forem trabalhadas nessa fase, ficará difícil o trabalho.

Eu acredito que é aí onde o investimento tem que entrar. Em Cuba, todas as escolas tem educação física, disciplina que trabalha vários esportes e, o governo também criou escolas especiais onde se intensifica o treinamento e jogos escolares, onde são encontrados os talentos.

Hoje infelizmente Cuba sofre com a crise e seus investimentos no esporte passaram a ser deixados de lado, resultado de uma olimpíada fraca em 2012 comparada com as últimas.

As universidades são chave para evolução do atleta. Nos Estados Unidos alunos atletas podem ganhar até 100% de bolsa (alimentação, dormitório e materiais esportivos). Para isso algumas exigências devem ser atendidas como o aluno ter terminado o ensino médio com notas boas.

Dessas universidades já saíram muitos atletas olímpicos e o mais incrível disso é a preparação dos alunos, pois as universidades não têm como objetivo formá-los atletas profissionais, mas sim prepará-los melhor para carreira.

No Brasil, são poucas as faculdades que dão algum tipo de bolsa e existem poucos campeonatos universitários. Dessa forma a maioria dos atletas tem que trabalhar para pagar a faculdade e acabam deixando de lado o esporte ou desistem da formação para tentar a carreira de atleta.

O papel das Confederações

Essas sim têm que investir nos atletas profissionais e colocar seu esporte em evidência. Quando a confederação é mal administrada o esporte passa a perder. E não há dinheiro ou apoio que resolva isso.

A confederação tem que levar seus atletas para disputar campeonatos nacionais e  internacionais, apoiá-los (com treinamento, nutrição, preparação psicológica), além de chamar atenção da população em geral para o esporte.

Aqui no HdT já falei do vôlei, explicando como a Confederação Brasileira de Vôlei mudou a cara do esporte e com um planejamento de longo prazo, colocou o Brasil em 1º do ranking tanto no masculino quanto no feminino. 

O basquete também foi revolucionado e já vimos algumas mudanças nas olimpíadas (2012). Iniciativas como a criação de uma nova liga e a parceria com veículos de comunicação chamaram atenção para o esporte, fizeram aparecer excelentes atletas e assim o esporte vai crescendo. Resultado: uma seleção muito mais competitiva.

Por que ser uma potência olímpica?

A razão de ser uma potência olímpica, para muitos países, foi uma forma de mostrar sua soberania. Isso fica claro se olharmos a União Soviética e os Estados Unidos, a Alemanha de Hitler e agora a China. Porém se também verificarmos os métodos usados por alguns deles, descobriremos que não é essa a melhor forma para ser potência olímpica. No artigo A Política e o Esporte mostro como alguns governos usa o esporte para benefício próprio para o bem e o mal.

Acredito que a razão para ser uma potência é a mudança que o esporte pode trazer, o show que ele pode proporcionar, a emoção e o incentivo de sermos mais ativos.

E para você, o que o Brasil precisa fazer para ser uma potência olímpica?

Bom Treino e bons jogos

Sobre o Autor

Personal Trainer e empreendedor. Treino é mais do que um vício: é um estilo de vida para mim! Precisando de Personal Trainer? Aulas em duplas e Avulsas - Saiba Mais CREF: 0859033-G/SP