Medir o número de passos que você dá todos os dias; rastrear sua frequência cardíaca, seu ritmo ou subida média enquanto corre; memorizar a distância total que você pedala ao longo de um ano e compartilhá-la com uma comunidade online. Essas práticas tornaram-se comuns no mundo do esporte com uso de smartwatch e aplicativos.
Essa digitalização da atividade física está crescendo no mundo inteiro através de ferramentas de auto quantificação usadas para medir a produtividade no trabalho, rastrear a ingestão de calorias, os níveis de açúcar no sangue e o peso, monitorar a regulação do sono e muito mais.
O mercado para essas ferramentas em atividades esportivas, por si só, é tanto lucrativo quanto competitivo. Segundo os pesquisadores finlandeses Pekka Mertala e Lauri Palsa, o negócio de tecnologia esportiva digital é estimado em US$ 12 bilhões por ano, com mais de 10.000 dispositivos digitais portáteis apenas para corrida. Cerca de 90% dos corredores amadores agora usam um smartwatch ou aplicativo móvel.
Esses dispositivos embutidos também são usados para apoio motivacional, para incentivar regularidade e assiduidade e para acabar com hábitos de vida considerados não saudáveis. Fazer parte de uma comunidade de praticantes de exercícios também pode aumentar a motivação ao entrelaçar sistemas de encorajamento mútuo e competição.
No entanto, tem se observado uma desaceleração desse mercado ligada a um fenômeno massivo de interrupção do uso de dispositivos digitais ou, no mínimo, de uso de curto prazo.
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A interrupção do uso de smartwatch
Enquanto algumas pessoas ainda não usam smartwatch, outros que as adquiriram vão parar de usá-las, geralmente após um período de uso limitado. Os mecanismos que levam a isso são extremamente variados e incluem sobrecarga logística, a dimensão demorada da transferência e interpretação de dados, falta de precisão e confiabilidade na coleta de dados e dificuldade em interpretar e usar dados, entre outros.
Acredita-se que a rejeição desses dispositivos pode ser o resultado de uma deterioração na qualidade da experiência de um esporte ao usá-los. Para alguns participantes, colocar números em uma atividade na verdade os leva a experiencia mais como um trabalho forçado do que como um lazer livre e autodeterminado.
A motivação intrínseca (o prazer de correr por si só) tende então a ser suplantada pela motivação extrínseca (recompensas, comparações, monitoramento mútuo). O contexto de um constante apelo à excelência pode levar a um medo antecipado de falha, bem como a um sentimento de vergonha e culpa em caso de desempenho insatisfatório. A sobrecarga cognitiva e a atenção distraída também podem levar a um desligamento do aqui e agora da atividade e das sensações corporais relacionadas a ela.
A adesão às ferramentas de quantificação
Nem todos os corredores amadores que começaram a usar uma ferramenta de mensuração digital pararam de usá-la. Enquanto abandonar as ferramentas é um fenômeno significativo e explicável, também é necessário considerar as razões para continuar a usá-las. Quais são as condições que permitem que corredores amadores continuem praticando e quantificando seu desempenho numericamente, enquanto obtêm prazer e bem-estar da atividade?
Mostramos que os corredores amadores que perseveraram no uso de ferramentas digitais eram aqueles que haviam desenvolvido um alto nível de expertise em auto quantificação. Mais especificamente, eles conseguiram juntar e incorporar uma série de táticas, ou até mesmo “truques cotidianos” que lhes permitiram interagir com seu dispositivo digital sem alterar a qualidade de sua experiência esportiva.
Uma abordagem inicial para isso é diferenciar e alternar os usos do smartwatch ao longo do tempo. Para começar, eles modulam a intensidade e os tipos de uso da ferramenta para se adaptar às condições de vida em mudança. Eles também aprendem a abandonar certas áreas de quantificação (sono, por exemplo) para focar seus esforços exclusivamente na corrida.
Quando se trata do ciclo de treinamento, esses corredores diferenciam seus modos de interação com a ferramenta (frequência de consulta da ferramenta, natureza dos dados coletados) de acordo com o tipo de sessão de treinamento em que estão envolvidos. Por exemplo, eles reservam o uso intensivo do smartwatch para sessões de treinamento intervalado, mas o consultam apenas ocasionalmente durante corridas de recuperação, corridas de ritmo de maratona ou sessões técnicas. Por fim, durante uma determinada sessão de corrida, os corredores miram em certos momentos chave para consultar seu relógio. Outros nunca olham o relógio durante a corrida, mas apenas depois, ou vice-versa.
Uma segunda tática consiste em concordar em ajustar, revisar ou até mesmo abandonar metas ao longo do caminho, dependendo do estado de aptidão percebido de um corredor e/ou das condições ambientais. Essa flexibilidade reflete o desenvolvimento de um relacionamento de autocuidado e benevolência consigo mesmo.
Por fim, uma terceira tática cotidiana leva os corredores amadores a tentarem entender quedas de desempenho, por exemplo, má alimentação, estresse, noite mal dormida.
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