Para muitos que gostam de correr, a Maratona é o auge, porém o desgaste de uma maratona provoca um forte estresse no corpo. Vamos ver alguns desses desgastes.
Como todos os esportes, podemos sentir algum estresse antes mesmo da prova. Nosso corpo libera a adrenalina, um hormônio que prepara seu corpo para agir, você fica mais alerta, o coração acelera, a capacidade pulmonar aumenta.
Porém, a maratona é um prova de endurance, ou seja, muito tempo realizando a mesma atividade. Durante a prova o atleta está sujeito à alterações como desidratação, falta de nutrientes, regulação de temperatura, fadiga muscular e mental.
O desgaste de uma maratona no organismo
Para cada estresse o corpo vai ter uma resposta, sempre buscando manter o equilíbrio.
– Hipertermia: nada mais é do que aumento da temperatura corporal, o corpo produz energia para nos locomover, uma parte da energia se transforma em calor, aumentando nossa temperatura.
Para manter a temperatura interna estável a corrente sanguínea “transporta” o calor para parte periférica, o suor evapora e diminui a temperatura. Por isso se deve correr com roupas bem abertas e Dry-fit, que não seguram a transpiração.
Correr em dias úmidos e/ou com muita vestimenta atrapalhará esse processo, o resultado será um baixo rendimento, fadiga precoce, tontura, desorientação e até desmaio.
Também pode ocorrer a Hipotermia, não é tão comum, a hipotermia é o contrário da hipertermia, o corpo esfria demais, isso pode ocorrer em provas de cidade muito fria, chuva e vento. Nessas situações é importante ter uma roupa impermeável, porém transpirável, se possível ter uma roupa seca e quente com algum amigo ou familiar para trocar no fim da prova.
Antes da corrida avalie sua vestimenta e a temperatura no dia da prova.
– Hipoglicemia – a fonte de energia do maratonista é a glicose, a glicose é armazenada nos músculos e fígado na forma de glicogênio, e no sangue na forma de glicose.
Conforme o maratonista usa suas reservas, o fígado transforma glicogênio em glicose e libera na corrente sanguínea.
Porém, quando essa reserva termina ocorre uma hipoglicemia (falta de glicose na corrente sanguínea), o rendimento cai devido a falta de resposta neural. A glicose também é principal fonte de energia do cérebro, sem ela o cérebro fica “lento” e a coordenação diminui, podendo gerar desmaios e até convulsão.
O corpo humano é uma máquina quase perfeita, com uma dieta adequada e com os treinos bem realizados é possível aumentar seu estoque de glicogênio no músculo e no fígado.
Para você ter glicose rapidamente na corrente sanguínea, basta ingerir carboidrato, você pode fazer isso facilmente com os carbo em gel, você deve tomar antes de começar a sentir os primeiros sinais da hipoglicemia, claro. Converse com sua nutricionista para que ela prescreva de quanto em quanto tempo você deve tomar seu gel na corrida.
– Fadiga muscular – não restam dúvidas que essa é a principal parte do organismo que sofre com estresse de uma prova de maratona. Movimentos repetitivos por um longo período de tempo causam micro-lesões na musculatura e se não realizado a ingestão do gel, acaba o glicogênio, ocorrendo o catabolismo muscular.
O catabolismo muscular nada mais é do que a depleção da proteína muscular para ser usado como fonte de energia, ou seja, proteínas musculares se quebram para gerar energia para ele mesmo, perdendo-se assim massa magra. O organismo faz isso porque é forma mais rápida de gerar energia.
– Desidratação e hiponatremia – como vimos acima o temperatura do corpo ao subir aumenta a sudorese, podemos perder 1 litro de água em uma hora, se você começa a sentir sede a desidratação já se iniciou.
No suor também se perde sódio (eletrólitos), a falta de sódio no organismo pode causar hiponatremia. A ingestão de bebidas com eletrólitos é fundamental. Se for ingerido apenas água o sódio irá se diluir no organismo agravando ainda mais situação. Expliquei um pouco sobre isso nesse artigo sobre hidratação no treino.
–Fadiga mental – o cérebro é atingido com várias informações ao mesmo tempo. Imagine todas essas informações citadas acima ocorrendo ao mesmo tempo e chegando ao sistema nervoso central, então seu cérebro começa a lutar contra: o humor se altera, vontades de parar de correr e até desligamento da resposta muscular, suas pernas simplesmente falham.
É fundamental ter uma nutricionista para direcionar quanto de água e sódio deve se tomar ao longo da prova.
Desgaste de físico – Após a prova
Depois de um estresse tão grande o organismo pode levar até 3 semanas para se recuperar. Em atividades de alta intensidade, nosso sistema imunológico também é abalado, e seu papel de proteger o organismo fica comprometido, assim é normal atletas ficarem gripados, febril, constipados, com infecções bacterianas ou virais.
Após uma maratona pode ocorrer sensação de depressão, isso se assemelha ao Overtraining e este pode durar até meses, após o corpo estiver totalmente recuperado.
Como você pode ver, o desgaste de uma maratona não é brincadeira, requer preparo e dedicação. Não é uma aventura de fim-de-semana, pode ser perigoso para sua saúde.
Treine adequadamente, se prepare com antecedência, se alimente corretamente e tenha boas noites de sono recuperativas.