Tenho artrose – Posso voltar a jogar futebol?

Tenho artrose – Posso voltar a jogar futebol?

Frequentemente recebemos no consultório pacientes desolados após passarem em consulta médica e receberem a noticia de que não poderiam mais correr ou jogar futebol em decorrência do diagnóstico de artrose no joelho ou quadril, ainda que se sintam bem para isso e com dor relativamente bem controlada.

De fato, enquanto alguns pacientes com artrose relativamente leve apresentam uma limitação significativa até mesmo para atividades do dia a dia, outros com desgaste bem mais avançado são capazes de manterem uma prática regular de corrida ou futebol. Não são poucos os pacientes com artrose que atuam até mesmo em nível profissional, e não tem sentido retirá-los de campo por causa disso!

Mais importante do que exames, a dor é a melhor referencia de até onde esta pessoa pode ir com a prática esportiva. Uma dor bem controlada indica que a atividade física não está sendo agressiva para a articulação e, portanto, não levará à piora do desgaste. Se este é o seu caso, lembre-se apenas de manter um bom trabalho de fortalecimento e reequilíbrio muscular, já que isso sim irá fazer com que sua carreira se prolongue cada vez mais.

Posso voltar jogar futebol ou correr com artrose no joelho?

Agora, e se você está do outro lado, com uma dor que não permite a volta aos campos? Isso não necessariamente será o fim. Jogadores com artrose eventualmente cogitam a aposentadoria devido à dor e, depois de um bom trabalho de fisioterapia e condicionamento físico, apresentam um ganho significativo a ponto de melhorarem o desempenho esportivo e conseguem adiar por algum tempo a aposentadoria. Isso acontece por dois motivos:

artrose joelho– Durante a corrida, a musculatura absorve grande parte da energia produzida pela pisada de forma que, quando a musculatura não está funcionando adequadamente, toda esta energia passa a ser absorvida pelas articulações (joelho, quadril, coluna).

Uma articulação que já se encontra mais sensível devido ao desgaste pode não suportar esta carga extra, e passará a sofrer com a dor.

– A musculatura é bastante sensível à dor. A dor provoca uma inibição, como se desligasse os músculos. Uma vez que estes não estejam funcionando adequadamente, o esforço na articulação aumentará progressivamente e o atleta entra em um ciclo contínuo de piora da dor, redução de atividade e perda da força e função muscular.

Fortalecer a musculatura em um paciente com dor não é tão simples, uma vez que o exercício provoca a dor e a dor impede o bom funcionamento muscular. É importante que se utilize o estímulo adequado, dentro de certos ângulos de proteção, com estímulos progressivos e, de preferencia, bem orientado por um fisioterapeuta. As atividades devem sempre respeitar a intensidade da dor: inicialmente, pode ser preciso ficar restrito à fisioterapia; a medida em que a dor melhora, esportes sem impacto como a musculação, piscina ou bicicleta vão sendo gradativamente introduzidos; em seguida inicia-se o retorno gradativo à corrida para, finalmente, retornar ao futebol. No inicio, o tempo de jogo deve ser limitado, com aumento progressivo de acordo com a dor.

Nem todos os pacientes conseguem passar por todas as etapas descritas acima, eventualmente a dor pode impedir a progressão no meio do caminho mesmo com o tratamento adequado. A dedicação e o cometimento com o tratamento é importante, já que os resultados não são imediatos, e o paciente deve ser orientado quanto à necessidade de um trabalho a médio e longo prazo, para que não se crie falsas expectativas e para que não desista por não ter tido o resultado almejado no inicio do tratamento. O diagnóstico de artrose deve ser visto, por tanto, com muito cuidado, para não privar um paciente de fazer o que tanto ama dentro das quatro linhas sem que isso seja estritamente necessário.

Dr João Hollanda

Médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva. Trabalha atualmente como médico da seleção Brasileira de Futebol Feminino. Maiores informações em ortopedistadojoelho.com.br

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